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Coren: enfermeiros fazem plantão de 12h e só comem uma vez


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Esta postagem foi publicada em 22 de junho de 2020 Notícias, Política.

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren) está acompanhando cerca de 20 denúncias sobre más condições trabalhistas, escassez de equipamentos de proteção e falta de profissionais para dar conta da demanda de pacientes com Covid-19 em hospitais públicos no Estado.

Conforme o presidente do Coren, Antônio César Ribeiro, em algumas unidades os enfermeiros estão fazendo plantões de 12 horas, podendo ir ao banheiro e se alimentar apenas uma vez por dia.

Ele explicou que isso tem ocorrido porque os profissionais recebem apenas dois kits de EPIs por plantão e o protocolo diz que, a cada vez que tem contato com paciente e o enfermeiro vai fazer outra atividade, é necessário jogar o material fora e usar um novo. Isso tem ocorrido com mais frequência na Unidade de Pronto-Atendimento do Bairro Cristo Rei, em Várzea Grande.

“O correto é que todas as vezes que você deixa de fazer aquele procedimento com o paciente, tem que ir fazer um relatório, organizar o prontuário, ir ao banheiro, você tem que tirar aquele avental impermeável e jogar fora. Eles recebem dois kits e têm que se virar com isso durante 12 horas”, afirmou Antônio César Ribeiro.

“O trabalhador tem sido impedido até de ir ao banheiro fazer as necessidades dele e está tendo uma alimentação por dia porque não pode tirar o avental. Isso é muito grave”, completou.

Ribeiro citou que o Conselho recebeu uma denúncia de que um enfermeiro estava tendo que beber água da torneira, pois não podia sair para tomar água tratada porque não tinha EPI para usar depois.

Outra questão levantada pelo presidente é de que os profissionais de enfermagem estão questionando a qualidade dos EPIs que recebem.

“Os relatos é de que são de baixa qualidade, mas não podemos afirmar a qualidade, porque não temos capacidade técnica de avaliar e dar um parecer. Têm sido recorrente essas denúncias”, afirmou.

O presidente do conselho disse, ainda, que as queixas de más condições de trabalho vêm de praticamente todas as unidades públicas em Mato Grosso, tanto de Prefeituras quanto do Governo.

Equipe restrita

O Coren também denunciou a falta de pessoal para lidar com toda a demanda de pacientes com coronavírus em Mato Grosso.

Conforme o presidente, os enfermeiros estão sobrecarregados, como ocorre na UPA do Bairro Cristo Rei e no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).

“Temos o problema de direcionamento de pessoal, que significa que o número de trabalhadores escalado para o plantão para cuidar de 10 leitos de UTI é insuficiente. Tem uma sobrecarga de trabalho, porque os hospitais não estão colocando número suficiente para poder cuidar”, afirmou.

Ele explicou que o protocolo diz que deve haver um enfermeiro e três técnicos a cada cinco leitos. No entanto, Mato Grosso está vivenciando um enfermeiro para 10 leitos.

“É impossível dar conta de cuidar com qualidade e segurança em um cenário desse”.

O Conselho afirmou que recebeu denúncias de que os hospitais públicos não estão abrindo concurso e os profissionais estão sendo coagidos a não denunciar.

“Também já teve denúncia de que hospital público não faz concurso, contrata pessoas por contrato de gaveta e tem coagido os funcionários a não fazer denúncias no Conselho, com ameaças de demissão. Está acontecendo também com médicos”, afirmou o presidente.

Profissionais infectados

Segundo o Observatório da Enfermagem, em todo o país, já são 19.257 casos reportados da doença em profissionais de enfermagem, 267 deles em Mato Grosso. Dos 196 óbitos de enfermeiros no Brasil, quatro aconteceram no Estado.

 Somente no Pronto Socorro de Cuiabá, 33 profissionais de enfermagem estão afastados com suspeita ou confirmação de coronavírus.

“A contaminação dos profissionais tem acontecido e o Coren responsabiliza as organizações pelo descaso e descuido com a segurança desses trabalhadores. Nós tivemos óbitos de trabalhadores já. São três óbitos de enfermeiros e um técnico”, acusou Ribeiro.

Essa situação de descaso, de acordo com o presidente do Coren, tem causado também exaustão emocional nos profissionais de enfermagem.

“Eles estão abalados. Cada caso que deu positivo coloca todo mundo em pânico. Imagina você chegar no trabalho e descobrir que um colega seu está internado, outro já morreu e você pode ser o próximo. Essa é a nossa realidade”, descreveu.

Fonte:


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