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Menor admite que pode ter ‘encostado’ no gatilho da arma que matou amiga com tiro na cabeça


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Esta postagem foi publicada em 16 de julho de 2020 Notícias, Política.

Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a adolescente B.O.C.,14 anos, teria admitido ao delegado Olímpio da Cunha Fernandes que há possibilidade de que tenha apertado, acidentalmente, o gatilho da pistola calibre .380 no momento em que a arma disparou e atravessou a cabeça de Isabele Guimarães Ramos, 14, durante a noite do último domingo (12) dentro de casa no condomínio Alphaville 1, bairro Jardim Itália, em Cuiabá.

A declaração foi dada nessa terça-feira (13) na sede da DHPP, onde a menor chegou junto com o pai, o empresário Marcelo Martins Cestari, em um total de quase 7 horas de depoimento.

Em meio às horas em que foi submetida a relatar detalhadamente os fatos e a esclarecer as dúvidas do delegado, B.O.C. teria explicado que não se lembra exatamente como a pistola disparou, mas que foi no momento em que segurava a case (espécie de maletinha), que continha duas armas dentro, e que deixou cair ao tentar abrir a porta do banheiro de seu quarto, onde Isabele estava.

Porém, no momento em que se abaixou para pegar a pistola, que tinha saído parcialmente da case, com a mão direita, e pegou a maletinha aberta com a outra arma dentro, com a mão esquerda, se sentiu “desconfortável, meio sem equilíbrio e por reflexo colocou uma arma em cima da outra”, com a intenção de se ajeitar e guardá-las novamente, mas nesse momento a arma disparou e acabou atingindo a ‘melhor amiga’. De tal modo, não poderia confirmar com exatidão se tocou ou não no gatilho.

A adolescente, muito abalada ao relatar os fatos, teria ressaltado que “o disparo foi acidental e que nunca houve e nem poderia conceber tirar a vida da sua amiga, que o fato ocorrido foi trágico acidente”.

O depoimento 

B.O.C. teria começado a explicar as circunstâncias do fato revelando que é praticante de tiro esportivo, bem como toda sua família e seu namorado.

Na sequência, em ordem cronológica, a menor começou a relatar os fatos desde a tarde, quando Isabele chegou em sua casa logo após o almoço, por volta das 13h. A case com as duas armas foram levadas pelo namorado de B.O.C., um adolescente de 15 anos, que chegou a residência às 15h para mostras as pistolas ao empresário Marcelo Martins Cestari.

Conforme  havia sido apurado anteriormente, Cestari estaria interessado na compra das armas.

Em seguida, de acordo com o depoimento, a adolescente ficou conversando com Isabele, os irmãos e o namorado, vendo fotos, e a tarde passou.

Após o jantar, o namorado de B.O.C. teria pedido para que o empresário ficasse com as armas guardadas em sua casa, já que ele (namorado da filha) seria buscado pelo irmão e seria perigoso transportar a case com armas durante a noite, pelo risco de cair em uma blitz.

Quando o adolescente foi embora teria deixado a case com as duas pistolas sobre o braço de um dos sofás da casa, quando horas depois, Cestari pediu para que um dos filhos pegasse a maletinha e fosse guardar e ela (B.O.C.) se prontificou a fazer isso.

“Nesse momento a declarante observou que a [amiga] tinha acabado de subir a escada, indo em direção ao seu quarto. A declarante pegou a case e subiu atrás dela (Isabele), com o intuito de saber o que ela iria fazer no seu quarto. Que ao chegar ao quarto, a declarante chamou pela amiga, não obtendo resposta, mas constatando que ela estaria no banheiro”, diz trecho do documento.

Foi explicado que o banheiro da adolescente fica dentro do closet do quarto. B.O.C. seguiu em direção ao cômodo gritando pela amiga. Ao chegar na frente do banheiro, tentou abrir a porta com uma das mãos e continuou segurando a case com a outra, quando deixou a maleta com as duas armas cair no chão.

“Decidiu bater a porta do [banheiro] que, ao soltar uma das mãos, o case caiu no chão, abrindo e expondo as duas armas, tendo uma caído parcialmente fora do case; que neste momento, a declarante abaixou para pegar os objetos, tendo empunhado uma das armas com a mão direita e equilibrado a outra com a mão esquerda em cima do case que estava aberto. Que em decorrência disso, sentiu certo desequilíbrio ao segurar o case com uma mão, ainda contendo uma arma, e a outra arma na mão direita, gerando o reflexo de colocar uma arma sobre a outra, buscando estabilidade, já em pé. Neste momento houve o disparo”, revelou em outro trecho do documento.

Após o tiro, B.O.C. disse que fechou os olhos com medo do que poderia ter acontecido com a amiga e começou a gritar por Isabele, quando um de seus irmãos chegou e se deparou com o que tinha acontecido.

“Evitou olhar no sentido do banheiro com medo do que pudesse ter ocorrido, que logo em seguida, em decorrência dos gritos, seu irmão, viu que a declarante estava com o case nas mãos e determinou que ela fosse guardar o case, tendo ele entrado no banheiro e, em seguida, gritado por socorro”, explica no depoimento.

A menor disse que conforme pedido pelo irmão correu até o quarto dos pais e colocou a case com as armas dentro do armário da mãe e depois volto, quando viu as pernas de Isabele no chão, “mas não teve coragem de entrar e se deparar com a cena inteira”.

Com o pedido do irmão, ela correu até o closet de sua mãe e ‘enfiou’ o case no armário e retornou ao seu quarto. Nesse momento adentrou no closet e viu as pernas da vítima caída, no banheiro, “mas não teve coragem de entrar e se deparar com a cena inteira”.

B.O.C. disse ainda que se lembra de ver o pai no telefone com a equipe de resgate do Samu, sendo orientado a prestar os primeiros socorros enquanto a ambulância não chegava e que nesse momento o empresário gritou para que buscasse pela mãe de Isabele.

Em seguida, chegou a mãe da vítima e um médico amigo da família, que constatou a morte da menina.

Fonte: Repórter MT


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