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Selma cita ligações de ministro do STF com políticos condenados e relator de sua cassação


Esta postagem foi publicada em 27 de fevereiro de 2020 Notícias, Política.

Durante entrevista concedida na última segunda-feira (24) ao Programa 3 em 1, na Rádio Jovem Pan, a senadora cassada Selma Arruda (Podemos-MT) citou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, como sendo alguém com ligações com pessoas que foram prejudicadas em decisões que ela tomou quando era juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá.

 “Para quem não sabe, o ministro Gilmar Mendes do STF é do meu Estado, Mato Grosso, e é extremamente relacionado com algumas das pessoas que eu acabei prejudicando por exercício do meu cargo”, disse a senadora.

Na entrevista, ela contou aos jornalistas que na função de juíza acabou prejudicando alguns partidos importantes, principalmente o MDB. “Agora, estou recebendo de volta o recado disso tudo”, afirmou.

Um dos políticos que chegou a ser preso por determinação da então juíza foi o ex-governador Silval Barbosa, um dos líderes do MDB à época. Segundo Selma Arruda, quando ela atuava na Vara Criminal, de combate à corrupção, ela “sentiu” certa resistência de Gilmar Mendes em relação a decisões, principalmente a que decretaram prisões de “grandes personagens”, como a do ex-governador. “Existe até uma gravação dele, que é publica e notória, dele [Gilmar Mendes] conversando com o governador numa ocasião que ele foi preso”, disse Selma Arruda.

 A conversa a que Selma Arruda se referiu entre Gilmar Mendes e Silval Barbosa ocorreu em maio de 2014. No dia 15 daquele mês, o STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República, autorizou a Polícia Federal a vasculhar a residência do então governador Silval Barbosa em busca de provas da participação dele em um esquema de corrupção. Cinco dias depois, durante buscas à residência, a PF encontrou uma pistola 380, três carregadores e 53 munições.

Como o registro da arma estava vencido havia quatro anos, Silval foi preso em flagrante. Horas mais tarde ele pagou fiança e foi solto. Às 17h15 daquele dia, Silval recebeu uma ligação oriunda de Brasília, do mesmo STF que autorizara a operação.

A Revista Época (em 06/02/2015) transcreveu a conversa: “Governador Silval Barbosa? O ministro Gilmar Mendes gostaria de falar com o senhor, posso transferi-lo?”, diz um rapaz, ligando diretamente do gabinete do ministro. “Positivo”, diz o governador. Ouve-se a tradicional e irritante musiquinha de elevador. “Ilustre ministro”, diz Silval Barbosa.

Gilmar Mendes, que nasceu em Mato Grosso, parece surpreso com a situação de Silval Barbosa: “Governador, que confusão é essa?”. Começavam ali dois minutos de um telefonema classificado pela PF como “relevante” às investigações. O diálogo foi interceptado com autorização do próprio Supremo – era o telefone do governador que estava sob vigilância da polícia. Na conversa, Silval Barbosa explica as circunstâncias da prisão. “Que loucura!”, diz Gilmar Mendes, duas vezes, ao governador (leia ao lado um trecho da transcrição da conversa). Silval Barbosa narra vagamente as acusações de corrupção que pesam contra ele. Gilmar Mendes diz a Silval Barbosa que conversará com o ministro Dias Toffoli, relator do caso. Foi Toffoli quem, dias antes, autorizou a batida na casa do governador.

Segue-se o seguinte diálogo:

Silval Barbosa: E é com isso que fizeram a busca e apreensão aqui em casa.

Gilmar Mendes: Meu Deus do céu!

Silval Barbosa: É!

Gilmar Mendes: Que absurdo! Eu vou lá. Depois, se for o caso, a gente conversa.

Silval Barbosa: Tá bom, então, ministro. Obrigado pela atenção!

Gilmar Mendes: Um abraço aí de solidariedade!

Silval Barbosa: Tá, obrigado, ministro! Tchau!

LIGAÇÕES ESTREITAS

Sobre aquela conversa, a senadora Selma Arruda disse o seguinte durante a entrevista a Rádio Jovem Pan. “Nessa ocasião, não fui eu que determinei a prisão [de Silval], mas enfim essa gravação denota muito bem essa ligação que ele [Gilmar] tem com estas pessoas. Quem é do Mato Grosso sabe que ele tem ligações estreitas com outras pessoas que foram prejudicadas pelo combate a corrupção”, afirmou Selma.

Durante a entrevista, concedida aos jornalistas Victor Brown, Thais Oyama, Rodrigo Constantino e Josias de Souza, Selma Arruda disse que existe certa resistência até mesmo do Judiciário, em aceitar que pessoas vindas da magistratura e do Ministério Público ingressem na política. Ela contou que o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) ouviu isso dos ministros, a quem os procurou pessoalmente, pedindo para que tivessem “parcimônia” ao analisar o caso envolvendo a senadora Selma Arruda.

“Quando o senador Álvaro Dias me disse que conversou com ministros e quando eu vi no próprio julgamento, o ministro se expressar literalmente nesse sentido, dizer que pessoal que sai do Judiciário, que sai do Ministério Público, não pode pular para a politica imediatamente, quando eu vi isso, eu senti claramente essa antipatia da classe politica pelos juízes, enfim, promotores que atuam no combate à corrupção e pra minha decepção eu vi também que o próprio Judiciário não tem essa simpatia, infelizmente. Isso pra mim é uma falha muito grande que existe ainda no nosso Judiciário”, lamentou a senadora.

Ao ser indagada pelo jornalista Vitor Brown se o seu processo de cassação foi uma “revanche” do ministro Gilmar Mendes, Selma Arruda disse que não havia elementos para categoricamente afirmar isso. “Eu não quero dizer a vocês que exista uma revanche, eu não tenho como provar isso pra vocês, mas pra mim é claro, que é uma reviravolta no combate a corrupção”, afirmou.

Selma, contudo, citou que, além de ser ligado a políticos que foram condenados por ela em Mato Grosso, Gilmar Mendes possui relação estreita com uma pessoa que analisou seu processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a ainda senadora, o relator do caso, ministro Og Fernandes, é padrinho das enteadas do ministro do STF.

Ela citou o exemplo da Operação Mãos Limpas, desencadeada na Itália entre 1992 e 1996, numa operação de combate à corrupção envolvendo empresário e partidos políticos. “Nós vemos que num primeiro momento aquelas pessoas foram presas e condenadas. E que num segundo momento, os tribunais superiores trataram de anular aquelas sentenças, absolver aquelas pessoas, e tornar tudo nulo, mais de uma centena de pessoas, condenadas, acho que uma dezena de pessoas permaneceram condenadas”, contou. “Este é o troco, a volta que a organização criminosa costuma dar a pessoas que lutam contra a corrupção”, concluiu.

 

Fonte: Folha Max


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